O que é um CFDI?Guia para Iniciantes sobre o Sistema de Fatura Eletrônica do México

Na primeira vez que um fornecedor mexicano lhe enviar uma fatura, você receberá dois arquivos: um PDF que parece qualquer outra fatura e um arquivo XML cujo conteúdo parece código de computador. Você pode ficar tentado a ignorar o XML, processar o PDF e seguir em frente. Mas no México, o XML é a fatura real — o PDF é apenas uma impressão. Tudo sobre como você lida com este documento decorre desse único fato.

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Sistema de fatura eletrônica CFDI mexicano explicado — guia para iniciantes sobre SAT, PAC, XML e tipos de CFDI para equipes financeiras

Principais Conclusões

  1. Um CFDI não é um PDF com campos extras — o XML é o documento legalmente válido, assinado digitalmente e validado por um PAC certificado pelo governo antes de chegar à sua caixa de entrada.
  2. Um código de Método de Pagamento — PPD em vez de PUE — significa que a única fatura que você recebeu gerará um CFDI de Pagamento separado para cada parcela, triplicando os documentos que você deve rastrear ao longo de meses.
  3. ImageToTable.ai extrai todos os campos do CFDI de XML e PDF sem necessidade de criar modelos, então uma única configuração de coluna funciona em qualquer formato de fornecedor porque lê o conteúdo, não as coordenadas da página.

Você Acabou de Receber um CFDI. O Que Está Vendo?

O termo CFDI significa Comprobante Fiscal Digital por Internet — Comprovante Fiscal Digital pela Internet. É o formato obrigatório de fatura eletrônica do México, usado em toda transação comercial no país desde 2014, quando o governo tornou a emissão de notas fiscais eletrônicas obrigatória para todos os contribuintes. Mas chamá-lo apenas de "fatura eletrônica" não faz jus ao que realmente acontece. Na maioria dos países, uma fatura eletrônica é um PDF gerado por um software de contabilidade e enviado por e-mail ao cliente. No México, um CFDI é um documento XML que passa por um ponto de validação do governo antes de se tornar legalmente válido — e o governo recebe uma cópia de cada fatura validada em tempo real.

Aqui está a maneira mais simples de entender a diferença. Nos Estados Unidos ou na Europa, a sequência de faturamento é: emitir → enviar → reportar depois (no fechamento do mês ou na declaração de impostos). No México, a sequência é: gerar → validar → carimbar → reportar agora (em tempo real). O governo mexicano vê a transação antes da sua empresa. A fatura não existe legalmente até que o sistema do governo a aprove.

Os dois arquivos anexados ao e-mail do seu fornecedor representam duas visões da mesma transação. O arquivo XML (eXtensible Markup Language) é o documento legalmente definitivo — ele contém os dados estruturados, as assinaturas digitais do emissor e da autoridade certificadora do governo, e o identificador único que vincula permanentemente esta transação à infraestrutura fiscal do México. O PDF é uma representação visual legível por humanos, regulamentada pelo SAT para incluir um QR Code que remete ao portal de verificação do governo, mas sem peso legal independente. Quando os dois entram em conflito, o XML vence. Quando você precisa comprovar uma transação para o SAT, você apresenta o XML. Quando arquiva registros pelo período de retenção obrigatório de cinco anos, o XML é o que você guarda.

O conceito essencial para levar: No México, a fatura legal não é o pedaço de papel — ou o PDF — que você pode ler com os olhos. É o arquivo de dados estruturados que uma máquina pode ler, com prova criptográfica de que o governo o validou. Todo o resto do sistema deriva deste princípio.

Por que o México criou este sistema — Do papel à liberação em tempo real

O México foi um dos primeiros países do mundo a tornar a fatura eletrônica obrigatória, e o fez para resolver um conjunto específico de problemas que as faturas em papel geravam. Antes do CFDI, as empresas emitiam recibos fiscais físicos — formulários impressos em múltiplas vias — e o SAT (Serviço de Administração Tributária, autoridade fiscal federal do México) não tinha visibilidade em tempo real sobre quem vendia o quê para quem. As empresas podiam emitir faturas com valores diferentes da transação real. Podiam emitir faturas para transações que nunca ocorreram — prática conhecida como facturación falsa (faturamento falso) que custava bilhões de pesos anuais aos cofres mexicanos. A capacidade de auditoria era limitada a amostragens. A diferença entre o declarado e o que realmente ocorria era grande o suficiente para ser um problema estrutural na arrecadação de impostos.

O sistema CFDI foi introduzido em fases. Em 2004, a fatura eletrônica tornou-se uma alternativa opcional ao papel. Em 2010, o governo a tornou obrigatória para grandes empresas. Em 2014, a obrigatoriedade foi estendida a todos os contribuintes do México — de multinacionais a profissionais autônomos e pequenos empresários. Em 2022, o sistema foi atualizado para sua versão atual, CFDI 4.0, que adicionou requisitos mais rigorosos de validação do receptor e formalizou o sistema de códigos de motivo de cancelamento.

O design do sistema resolve um problema de fiscalização tributária ao inverter a sequência tradicional de fatura, remessa e declaração. No modelo antigo, as autoridades fiscais viam as transações semanas ou meses depois de ocorrerem — tempo suficiente para que discrepâncias fossem ocultadas. No modelo CFDI, cada fatura é validada e registrada em um banco de dados central no momento da criação. O SAT pode consultar esse banco de dados em tempo real. Pode cruzar faturas de diferentes contribuintes para detectar inconsistências. Pode sinalizar padrões de cancelamento que sugerem que uma empresa está emitindo e cancelando faturas para manipular a receita declarada. O sistema foi criado para visibilidade — e essa visibilidade se estende à sua empresa como compradora. Cada CFDI que seus fornecedores emitem para você é registrado contra seu RFC no banco de dados do SAT, criando um rastro permanente e auditável de cada transação B2B que sua empresa realiza no México.

Os Três Atores: SAT, PAC e o Contribuinte

Um CFDI não vai diretamente do fornecedor ao comprador. Ele passa por um intermediário que a maioria dos sistemas de faturamento de outros países não possui. Entender os papéis dos três participantes — e a sequência em que interagem — é a base para entender todo o resto do sistema.

1

O Contribuinte — O Emissor

Seu fornecedor mexicano. Ele gera o XML do CFDI a partir do seu ERP ou sistema de faturamento, assina digitalmente com seu CSD (Certificado de Sello Digital — um certificado criptográfico emitido pelo SAT que comprova sua identidade) e o transmite ao PAC escolhido para validação. O contribuinte é legalmente responsável pela precisão dos dados no CFDI.

2

O PAC (Proveedor Autorizado de Certificación) — O Validador

Uma empresa privada certificada pelo SAT que atua como intermediária entre contribuintes e a autoridade fiscal. O PAC valida a estrutura do XML conforme o padrão técnico Anexo 20, verifica se os RFCs do emissor e do receptor existem e estão ativos no registro do SAT, checa a assinatura digital e — se tudo estiver correto — aplica o timbre fiscal digital (carimbo fiscal digital). Esse processo é chamado de timbrado. O PAC então transmite o CFDI timbrado ao SAT e o devolve ao emissor. Sem o timbre de um PAC, o CFDI não tem validade legal. Os PACs cobram taxas por nota fiscal, geralmente alguns pesos mexicanos por documento.

3

O SAT (Servicio de Administración Tributaria) — A Autoridade Fiscal

A autoridade fiscal federal do México, equivalente à Receita Federal no Brasil ou ao IRS nos Estados Unidos. O SAT recebe cada CFDI validado em tempo real pela rede de PACs e o armazena em um banco de dados central. Atribui a cada CFDI um UUID (um identificador único universal de 36 caracteres, também chamado de Folio Fiscal) que se torna a referência permanente daquela transação. O SAT disponibiliza cada CFDI ao emissor e ao receptor através de seus respectivos portais fiscais (Buzón Tributario) e oferece um portal público de verificação onde qualquer pessoa pode validar a autenticidade de um CFDI inserindo seu UUID e o RFC do emissor.

A sequência — contribuinte gera → PAC valida → SAT recebe — ocorre em segundos para um CFDI bem formatado. O resultado é que, quando seu fornecedor envia a nota fiscal por e-mail, o documento já passou por um processo de aprovação governamental. Se o PAC a tivesse rejeitado — por RFC inválido, erro estrutural ou certificado CSD revogado — o fornecedor não teria conseguido enviá-la a você como um CFDI válido.

A anatomia de um CFDI: o que há dentro daquele XML

Ao abrir um arquivo XML de CFDI, você vê uma hierarquia de elementos marcados — algo que parece uma mistura de exportação de dados com formulário fiscal. É essencialmente isso. O esquema CFDI 4.0, definido pelo Anexo 20 da Resolución Miscelánea Fiscal, especifica exatamente quais elementos devem estar presentes, em que ordem e com quais valores permitidos. Estes são os campos mais importantes ao processar faturas CFDI do lado do receptor:

CampoO que éPor que você precisa
RFC EmisorRFC de 12 ou 13 caracteres do fornecedor (Registro Federal de Contribuyentes)Identifica o fornecedor no seu cadastro e na base de dados do SAT
RFC ReceptorRFC da sua empresa (ou o genérico XEXX010101000 se não tiver registro fiscal mexicano)Direciona a fatura para a entidade correta; vincula o CFDI a você nos registros do SAT
Nombre / Razón SocialNome legal do emissor e do receptor, exatamente como registrado no SATDeve coincidir exatamente com o registro do SAT — um único caractere diferente causa rejeição pelo PAC
Régimen FiscalCódigo do regime fiscal do emissor (ex.: 601 para corporações, 612 para pessoas físicas com atividades empresariais)Determina o tratamento tributário da transação; incompatibilidade com as atividades reais gera alertas de auditoria
UUID (Folio Fiscal)Identificador único universal de 36 caracteres atribuído pelo SAT via PAC durante o timbradoChave permanente que vincula este CFDI a complementos de pagamento, solicitações de cancelamento e ao portal de verificação do SAT
Fecha y HoraData e hora de emissão e certificação pelo PACDetermina o período fiscal da transação e a janela de elegibilidade para cancelamento
ConceptosDetalhamento dos itens: descrição, quantidade, unidade de medida, preço unitário, código de classificação do produto/serviço (ClaveProdServ)Os bens ou serviços faturados — classificados usando os códigos do catálogo do SAT para referência cruzada
ImpuestosDetalhamento dos impostos: IVA transferido a 16%, possível retenção de IVA, retenção de ISR, IEPS (imposto especial sobre produção e serviços)Valores de impostos por tipo e alíquota — necessários para créditos fiscais e cálculos de dedutibilidade de despesas
Forma de PagoForma de pagamento: ex.: 01 para dinheiro, 02 para cheque, 03 para transferência eletrônica, 04 para cartão de crédito/débitoExigido para classificação fiscal do SAT; verifica o canal de pagamento em relação aos seus registros
Método de PagoPUE (pagamento único) ou PPD (pagamento parcelado/diferido)PPD exige um CFDI de pagamento separado para cada parcela — este único código triplica os documentos que você precisa gerenciar
Uso CFDICódigo que declara como o destinatário usará a nota fiscal: G01 para aquisição de bens, G03 para despesas gerais, P01 para definição pendenteDeve corresponder ao uso real da compra — o SAT cruza essas informações com suas declarações fiscais

Alguns desses campos — Uso CFDI, Régimen Fiscal, Método de Pago — não têm equivalente em uma fatura padrão dos EUA ou da Europa. Eles existem porque o CFDI funciona também como documento de declaração fiscal. O emissor não está apenas informando o que vendeu. Ele está informando ao SAT o tratamento fiscal exato da transação, o uso pretendido da compra e a estrutura de pagamento que virá. Os campos que você ignora por não se encaixarem no formulário de fatura padrão do seu ERP são os campos que o SAT usa para verificar se sua posição fiscal é consistente com sua atividade econômica.

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Os seis tipos de CFDI — e por que não existe apenas um

Um CFDI não é um único tipo de documento com variações. O campo Tipo de Comprobante designa seis categorias distintas de documentos, cada uma com seu próprio propósito, efeito legal e implicações de processamento:

CódigoNomeO que registraQuando você verá
IIngreso (Receita)Venda de mercadorias, prestação de serviços, receita de aluguel, taxas — registra a receita do emissorToda compra que você faz de um fornecedor mexicano — esta é a fatura padrão que você recebe
EEgreso (Despesa/Saída)Devoluções, descontos, abatimentos ou cancelamentos de faturas emitidas anteriormente — essencialmente uma nota de créditoQuando um fornecedor corrige uma cobrança a maior ou aceita uma devolução; quando uma fatura anterior é cancelada
PPago (Pagamento)Um pagamento recebido contra um Ingreso PPD — contém o Complemento de Pago referenciando o UUID da fatura originalToda vez que você paga uma fatura PPD — você recebe um Pago CFDI separado para cada parcela de pagamento
NNómina (Folha de Pagamento)Remuneração de funcionários — salários, ordenados, benefícios, deduções, retençõesSe sua empresa emprega pessoal no México — este é o recibo de folha de pagamento, não uma fatura de fornecedor
TTraslado (Transferência)Transporte de mercadorias sem venda comercial — transferências internas, movimentações logísticasQuando mercadorias são movidas entre armazéns ou para o local do cliente acompanhadas por um complemento Carta Porte
Retenciones (Retenções)Retenções e pagamentos de impostos efetuados — ISR e IVA retidos em pagamentos a terceiros, incluindo fornecedores estrangeirosQuando sua entidade mexicana retém imposto sobre um pagamento a uma parte estrangeira ou declara dividendos, juros ou pagamentos de arrendamento

Para a maioria das equipes de contas a pagar que lidam com fornecedores mexicanos, os tipos relevantes no dia a dia são Ingreso (a fatura que você paga) e Pago (o comprovante de pagamento). A principal percepção operacional: um Ingreso marcado como PPD e um Pago para a mesma transação são dois arquivos XML separados, com dois UUIDs distintos, mas descrevem um único evento de negócio — e seu sistema contábil precisa conectá-los. Para um guia prático sobre como lidar com isso, veja nosso guia de extração de CFDI.

XML vs PDF: O Documento Que Você Vê Não É a Fatura Real

Este conceito merece uma seção própria porque é o mal-entendido mais comum entre equipes novas em faturas mexicanas — e o que gera o maior custo de conformidade quando feito errado.

Quando seu fornecedor emite um CFDI, duas representações da transação são criadas. O arquivo XML é gerado pelo sistema do fornecedor, assinado digitalmente pelo certificado CSD do fornecedor, validado e carimbado pelo PAC, e transmitido ao SAT. Ele contém os dados estruturados completos: cada campo listado na tabela acima, em uma hierarquia que os sistemas do SAT podem analisar automaticamente. Este arquivo tem valor legal. De acordo com o Artigo 30 do CFF, tanto o emissor quanto o receptor devem mantê-lo por pelo menos cinco anos.

O PDF é gerado pelo sistema do fornecedor como uma representação visual de um subconjunto dos dados do XML. Ele é regulamentado — deve incluir um código QR bidimensional que codifica um link para a página de verificação de CFDI do SAT, e deve exibir no mínimo os campos especificados na Resolução Miscelânea Fiscal do SAT — mas não é o documento que a lei mexicana reconhece como fatura. O objetivo do PDF é fornecer algo legível para humanos e um documento físico que acompanha mercadorias durante o transporte. Ele nunca foi projetado para ser a fonte de dados do seu sistema contábil.

Consequência prática: Se sua equipe de contas a pagar insere dados do PDF no seu ERP — digitando o nome do fornecedor, itens, totais e valores de impostos manualmente — eles estão redigitando um subconjunto de informações que já existem em formato estruturado e legível por máquina no XML. E estão perdendo os campos — UUID, Método de Pagamento, Regime Fiscal, Uso do CFDI — que são essenciais para conciliação, conformidade e auditoria. O PDF é um visualizador. O XML são os dados. Processe o XML, use o PDF para verificação visual.

Você mesmo pode verificar a autenticidade de qualquer CFDI. Acesse o portal de verificação do SAT (verificacfdi.facturaelectronica.sat.gob.mx), insira o UUID do XML, o RFC do emissor e o RFC do receptor. O SAT retorna o status atual do CFDI — válido, cancelado ou não encontrado — junto com a data de certificação. Isso permite confirmar que um CFDI recebido é genuíno e não foi cancelado, sem depender da palavra do fornecedor ou da aparência do PDF.

Como Empresas Estrangeiras Enfrentam o CFDI

Se sua empresa não possui uma entidade legal no México, você encontra o sistema CFDI em um cenário principal: sua empresa compra bens ou serviços de um fornecedor mexicano, e o fornecedor deve emitir um CFDI para documentar a transação. Isso é obrigatório independentemente de onde o comprador está localizado — um fornecedor mexicano vendendo para uma empresa dos EUA ainda deve emitir um CFDI, tê-lo carimbado pelo PAC e transmiti-lo ao SAT.

Nesse cenário, sua empresa provavelmente não possui um RFC — o número de identificação fiscal mexicano de 12 ou 13 caracteres. Seu fornecedor usará o RFC genérico para destinatários estrangeiros: XEXX010101000. Esse RFC informa ao SAT que o destinatário é uma entidade estrangeira sem registro fiscal mexicano. Funciona, mas tem limitações: como milhares de empresas estrangeiras não relacionadas compartilham esse mesmo RFC, não há como o SAT ou seus sistemas internos rotearem faturas para a entidade correta com base apenas no RFC. Se sua organização tem várias subsidiárias ou departamentos recebendo faturas CFDI de fornecedores mexicanos, você precisa de um mecanismo de roteamento interno — baseado no nome do fornecedor, na referência do pedido de compra ou no e-mail do destinatário — para direcionar cada fatura para a fila de processamento correta.

Se sua empresa possui uma entidade legal no México, essa entidade tem seu próprio RFC e deve receber faturas CFDI sob esse RFC, em vez do genérico. Isso é essencial para solicitar créditos fiscais de IVA (ICMS) e deduzir despesas comerciais nas declarações fiscais mexicanas — usar XEXX010101000 quando você tem um RFC válido anula esses benefícios fiscais.

A versão CFDI 4.0 introduziu uma mudança que afeta diretamente compradores estrangeiros: o RFC do destinatário, o nome legal (razão social) e o código postal do domicílio fiscal devem corresponder exatamente ao registro de contribuintes do SAT. Para o RFC estrangeiro genérico XEXX010101000, essa validação é automaticamente satisfeita porque o próprio RFC declara "este é um destinatário estrangeiro". Mas se sua empresa obteve um RFC mexicano, seu nome registrado no SAT — até a capitalização exata, espaçamento e acentos — é o que o fornecedor deve inserir. Uma incompatibilidade de um único caractere faz o PAC rejeitar o CFDI. É por isso que, desde 2022, fornecedores mexicanos se tornaram mais insistentes em solicitar sua Constancia de Situación Fiscal (Certidão de Situação Fiscal) antes de emitir uma fatura: eles precisam inserir seus dados exatamente como o SAT os registra, ou o PAC não carimbará o documento.

O Que Você Realmente Precisa Fazer com Faturas CFDI

Agora que você entende o sistema, aqui está a lista prática para lidar com faturas CFDI que sua empresa recebe de fornecedores mexicanos:

1. Salve o XML, não apenas o PDF. Quando um fornecedor enviar ambos os arquivos por e-mail, arquive o XML em seu sistema de gerenciamento de documentos. O PDF é útil para revisão visual, mas o XML é o que o SAT considera a fatura. Ambos devem ser retidos por cinco anos. Se você salvar apenas o PDF, estará perdendo o documento legalmente autoritativo.

2. Extraia o UUID e os campos-chave do XML. O UUID é a referência permanente para esta transação — é como você reconciliará pagamentos, verificará o status do CFDI e responderá a solicitações de auditoria. RFC (emissor e receptor), valor total, detalhamento do IVA, Método de Pago (PUE ou PPD) e data são os campos mínimos necessários em seu sistema de contas a pagar. Para orientação detalhada sobre extração, consulte nosso guia de extração de dados CFDI.

3. Verifique o Método de Pago imediatamente. Se o valor for PPD, sinalize esta fatura para acompanhamento de pagamento. Você receberá um ou mais Pago CFDIs quando o fornecedor registrar seus pagamentos — cada um com seu próprio UUID e um nó Complemento de Pago referenciando o UUID do Ingreso original. Crie um mecanismo de rastreamento (uma planilha simples ou o vínculo fatura-pagamento do seu ERP) para associar cada Pago ao seu Ingreso à medida que chegarem.

4. Verifique o CFDI no portal do SAT. Insira o UUID, RFC do emissor e RFC do receptor em página de verificação do SAT. Confirme que o CFDI está marcado como "Vigente". Faça isso pelo menos uma vez ao receber a primeira fatura de um novo fornecedor e periodicamente para faturas de alto valor.

5. Monitore solicitações de cancelamento. Se sua empresa tiver um RFC mexicano e acesso à Caixa Postal Tributária do SAT (Buzón Tributario), verifique periodicamente se há solicitações de cancelamento pendentes. Se um fornecedor cancelar um CFDI que você já contabilizou, você tem 72 horas para aceitar ou rejeitar. Se não fizer nada, o cancelamento é aprovado e seu lançamento contábil fica respaldado por um documento anulado.

6. Use o UUID para reconciliação de pagamentos. Ao pagar o fornecedor, inclua o UUID do CFDI na referência do pagamento. Quando o fornecedor emitir o Pago CFDI correspondente, associe-o ao Ingreso original pelo UUID. Esta disciplina simples — UUID em cada pagamento, UUID em cada reconciliação — elimina a fonte mais comum de erros de reconciliação de contas a pagar no México.

Para equipes de contas a pagar que lidam com mais de algumas faturas mexicanas por mês, o processamento manual neste nível de detalhe torna-se insustentável — especialmente o rastreamento de PPD em múltiplos complementos de Pago. Para uma visão geral de abordagens de processamento em lote, consulte nossos guias sobre processamento em lote de CFDI e extração acessível de CFDI para pequenas empresas.

Para um contexto mais amplo sobre como a extração de documentos funciona em mercados de língua espanhola, consulte nossa visão geral de mercados hispânicos. Para contexto de preços ao avaliar ferramentas de extração, consulte nossa comparação de preços de extração de documentos com IA 2026.

Perguntas Frequentes

Preciso de um RFC mexicano para receber um CFDI?

Não. Se sua empresa não tem presença fiscal no México, o fornecedor pode usar o RFC genérico para destinatário estrangeiro XEXX010101000. Porém, este RFC não permite créditos de IVA nem deduções de despesas no México, e não oferece rastreabilidade por entidade (milhares de empresas o compartilham). Se sua empresa tem uma subsidiária mexicana com RFC próprio, use esse RFC para preservar benefícios fiscais e criar trilhas de auditoria limpas.

O PDF é válido para fins fiscais ou preciso do XML?

O XML é o documento legalmente válido. O PDF é uma representação visual sem valor legal independente. Tanto o emissor quanto o receptor devem reter o XML por pelo menos cinco anos, conforme o Artigo 30 do CFF. Em uma auditoria do SAT, será solicitado o XML, não o PDF.

Qual a diferença entre um CFDI e uma fatura eletrônica comum?

Uma fatura eletrônica comum (como entendida na maioria dos países) é um PDF gerado pelo sistema do vendedor e enviado ao comprador — sem envolvimento governamental. Um CFDI é um documento XML estruturado que passa por um PAC certificado pelo governo para validação e recebe um selo fiscal digital antes de se tornar legalmente válido. O governo recebe uma cópia de cada CFDI em tempo real. A diferença é a pré-autorização governamental versus a declaração posterior.

Por que meu fornecedor insiste em pedir minha Constancia de Situación Fiscal?

Porque o CFDI 4.0 exige que os dados do receptor (RFC, nome legal, código postal do domicílio fiscal e regime tributário) correspondam exatamente ao cadastro de contribuintes do SAT. Uma única divergência de caractere causa rejeição pelo PAC. A Constancia de Situación Fiscal é o documento oficial do SAT que mostra seus dados cadastrais exatos. Observe que, a partir da reforma de 2026, condicionar a emissão do CFDI à apresentação de identidade pessoal (Cédula) ou Constancia de Situación Fiscal é classificado como infração segundo o Artigo 83 do CFF — mas, na prática, os fornecedores ainda podem solicitá-la para garantir a precisão dos dados.

O que acontece se eu receber um CFDI com erro nos dados da minha empresa?

O fornecedor deve cancelar o CFDI incorreto (usando o código de motivo 01 para erro com documento relacionado ou 02 para erro não relacionado) e emitir um corrigido com um novo UUID. O cancelamento exige sua aceitação em até 72 horas se o CFDI for superior a MXN 1.000 e não estiver dentro do período de carência inicial de 72 horas. O fornecedor não pode simplesmente editar e reenviar o mesmo CFDI — o UUID original se torna permanentemente inválido.

Posso converter XML do CFDI diretamente para Excel?

Sim. Arquivos XML do CFDI são dados estruturados — cada campo é etiquetado e analisável. No entanto, o esquema é hierárquico (o nó Complemento de Pago está aninhado dentro da estrutura principal do CFDI, por exemplo), e extrair dados em linhas planas exige entender o aninhamento do esquema. Para uma abordagem passo a passo de extração de CFDI para Excel, consulte nosso guia de extração de CFDI.

O sistema CFDI do México não é um fardo burocrático imposto a fornecedores e compradores. É uma infraestrutura projetada para visibilidade fiscal em tempo real — e, uma vez que você entende a lógica dele, os campos que pareciam ruído (Uso CFDI, Método de Pago, Régimen Fiscal) se tornam os sinais que mostram exatamente como esta transação se encaixa no cenário fiscal mexicano da sua empresa. A curva de aprendizado é real. Mas o sistema é consistente, e os dados que ele fornece são mais confiáveis do que qualquer formato de fatura que a maioria das equipes de AP já encontrou.

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